quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ritmo de um relógio parado


Hemorragia de tristes memórias
Que não quer estancar,
O som infernal
Do que não se pode esquecer.
O cheiro do apartamento,
A paisagem na janela,
O frasco vazio:
Tudo respira o passado.
A vida que funciona
No ritmo de um relógio,
Há tempos,
Parado.
Mente infeliz
Que resguarda
O próprio pesadelo,
Que guarda lembranças
Que não se quer lembrar.

sábado, 1 de agosto de 2009

Sobre o tédio [...]


Casa vazia
Chão limpo
Que brilha.
Luz do dia
Insistente
Grita do
Lado de fora.
Teto e
Paredes
Brancos
E só.
Já não
Me incomodo.
Acho graça
Do tédio
Dou razão
Pra solidão
Compreendo
O vazio
Me agrada
A reclusão.

sábado, 11 de abril de 2009

Tardes verdes ou Treze

Lembro as tardes
Tardes verdes de
Grama molhada
E de olhos calados.
Tardes de dezembro,
Tardes de pouca idade,
Tardes fora de casa,
Tardes fora de mim.
Foram estranhas,
Foram belas.
Agora são tardes velhas
Vou guardá-las
Dentro de um livro,
Acho melhor assim.

sábado, 31 de janeiro de 2009

De todas as coisas

Dos meus pensamentos mais leves,
Do meu sono mais profundo,
Das cores mais lindas que conheço
E Da beleza do meu recomeço.
Dos meus anéis de prata,
De minhas certezas mais concretas,
Das minhas palavras mais corretas,
De todas as minhas contas quase exatas.
Das noites que considero melhores,
Da realidade que não se escolhe,
Dos sentimentos duvidosos
E dos meus discursos virtuosos
E do que chamo caminho,
Da alegria do vinho
Da fugacidade que ferve
Lhe entrego a parte que não me serve,
Tudo o que se joga fora
Tudo que é meu e vai embora.

domingo, 19 de outubro de 2008

fatalidade



Pela manhã
Vivi cegamente
Em uma felicidade desastrada.
Pela tarde
Permaneci tão contente
Em uma embriagues declarada.
Pela noite
Morri de repente
Em uma certeza desesperada.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pela própria sorte

Pergunte aos olhos cegos
E as belas cartas de baralho
O que foi feito do passado
Amassado, coado
Nos filtros da razão.
Convença as mãos fartas,exaustas
A lhe traçar com beleza,
Ao avesso do pano de mesa
Um futuro,um coração.
Cale-se e ouça atento
A voz rouca
Que dá ordens ao tempo,
Peça a ela que o obrigue,
Se for capaz,
A parar e voltar atrás.

domingo, 30 de março de 2008

Matéria Legítima

Ausentei-me do que antes era,
No entanto não sou outra,
Sou núcleo cru
De mim mesma,
Carne viva de minha alma,
Exposta ao sol do meio-dia.
A matéria legítima
Dos sentimentos
De maior inconveniência.